The Brazilian Way / O jeitinho brasileiro

The best and the worst of Brazil is the Brazilian

(A versão em Português está abaixo dessa)

I’m Brazilian. To be honest, I’m upset with all this situation that’s been happening lately, and with all the critique that hasn’t been well received.

If you don’t know what I’m talking about, let’s go:

Let’s not be hypocrite and say that whatever Mark said isn’t real. We Brazilians say it ourselves. And if we didn’t express it with words yet, we’ve heard that little voices in our head saying it. The worst of Brazil are the Brazilians. Just like the best of Brazil are also the Brazilians.

Last week when the Brazilian blog Vice commented on the “Open Letter to Brazil” from Mark, I was upset… What are exactly the arguments of Vice’s blog? There’s no argument, if not a critique to the “click bait author”, which by the way, is exactly what Vice did. For me then, the matter is that is way harder to listen and “digest” a negative feedback than it is to hear something nice being said about us. And in this case, about Brazil.

Or we Brazilians don’t know how to receive a feedback? We can’t be in a position of talking about things that happen in Argentina, or whatever we do not agree about Cuba or the US – and when a “gringo” talks about Brazil, we don’t know how to receive it. Or when WHOEVER talks about Brazil, we still don’t know how to receive the critique.

And yes, the other aspect of it also bothers me. I’m upset also because we waited. We waited until this “gringo” decided to talk to us, so then we could listen. Even when we had already thought that Brazil’s problem are the Brazilian people. In this case, if Vice’s blog had articulated that, then I would agree.

I left Brazil around two and a half years ago. Please, don’t think otherwise… I love Brazil. I love our culture, our way of being, our music, our food. I love my friends and my family. I’m now living in Canada, since my partner and I are looking for new experiences. Better opportunities. And yes, I do believe that there are not enough opportunities in Brazil right now. There is no passion on doing things… There is no good intention.

When I say “good intention”, I am not generalizing. I believe there are people with the best intention in Brazil. And with bad intention too. This is like anywhere else in the world (or almost anywhere else).

What I’ve come here to say is the following: Our “Brazilian way” comes from birth. From when we were very young. We are the people who always finds a way! And this is not necessarily something to be ashamed of. But it’s good to remember that each case, is one case. The only thing is: if “the Brazilian way” is used to take advantage on something, then it shouldn’t be seen as something positive.

As an example: What do you do when you get a fine? Or what did you do when you failed your driving test?

I’m not saying that for all of these questions there is only one answer for the Brazilian people. There’re those who always find a way, there’re those who don’t. And it happens here in Canada as well (despite the fact that in the almost three years that I’ve been here, I haven’t seen people finding a different way as much as I did in Brazil). I have to say again: we cannot be hypocrite. We do know the answers for the two questions.

It’s a culture. The “Brazilian jeitinho” is a culture.

Besides the Brazilian way, please answer: do you carry your food tray back to the place it belongs when you are done eating in a public food court? Or do you think we don’t need to do it, since there’s people for that? Do you say “thank you” to your bus driver when you arrive at your destination? Or do you at least say “hello” when you come into the bus?

These are simple behaviors. Believe me, they make all the difference. It’s a matter of being polite. I do believe that slowly, and with more information, Brazil is going to get used to being polite. Brazil is going to get used to being educated, and perhaps more charismatic. Remember what I’ve said before? Wouldn’t it be simple if we could use our way of being and our happiness to be grateful for everything we have?

Yes, I know! Corruption! How can we be grateful for the things we have, when all we do have are corrupt politicians? Well, I won’t even answer that. If you are asking it, it’s probably because you didn’t get anything I said before.

So, it’s not because Mark is a foreigner that any of what he said isn’t true. We improve by listening what’s wrong. It’s the only way of developing. No matter where the feedback comes from. I believe that we can pre-select some of the feedback we receive through life. Of course some of them are not worth. But, if we don’t make time to listen what others have to say, how do we know what we are doing wrong?

I understand why people were upset when Brazilians started sharing a foreigner’s opinion on social media. And I partially agree with that. But it’s inevitable and sad that foreigner’s opinion in our country are the majority of articles being popularized over the media. It’s like the Brazilian rock band, Titãs, says “an idiot speaking in English, is way better than you and me” (I’m sorry for the poor translation).

Then, for the last time: I don’t think discriminating the foreigner is the right thing to do. If we stopped and listened more to what people have to say, perhaps we wouldn’t need to listen from someone who does not belong to Brazil. The fact that Brazil has such a mixture of cultures only emphasizes the need of not ignoring feedbacks. Even if it’s an idiot speaking in English opinion’s. And yes, we should care MORE with what we think of ourselves before anything else.

We are wonderful people; we can do better than our “jeitinho” only.

 

***

 

Versão em Português

O melhor e o pior do Brasil é o brasileiro

Eu sou brasileira. E estou um pouco chateada com essa situação e com as criticas que não estão sendo bem recebidas.

Se você não sabe sobre o que eu estou falando, vamos lá:

Não vamos ser todos hipocritas e falar que o que o tal do Mark falou não é real. Nós mesmos falamos isso uns pros outros. Ou se não expressamos ainda com palavras, já ouvimos o nosso”diabinho” ou “anjinho” falando isso… O pior do Brasil é o brasileiro. Assim como o melhor do Brasil também é o brasileiro.

Semana passada quando o site Vice descorreu sobre a carta aberta ao Brasil, eu fiquei muito chateada… Quais são os argumentos no texto do Vice? Não existem argumentos se não uma crítica ao “autor caça clique”… que diga-se de passagem é exatamente o que o Vice fez. Pra mim a questão é que é bem mais difícil de aceitar uma crítica negativa do que um texto que fale das coisas boas do Brasil.

Quer dizer que nós não sabemos aceitar críticas então? Não é possivel que nós falemos do tanto que acontece na Argentina, ou das coisas com as quais não concordamos sobre Cuba ou Estados Unidos – mas quando um gringo resolve falar sobre o Brasil a gente não saiba ouvir. Ou quando QUALQUER pessoa fale do Brasil, a gente não saiba ouvir.

E, sim, o outro lado também me incomoda: me chateia também o fato de esperarmos um gringo falar para começarmos a prestar atenção, quando nós mesmos já tinhamos pensado que o pior do Brasil é o Brasileiro. Então, se o Vice tivesse articulado isso… Eu concordaria.

Eu saí do Brasil há dois anos e meio. Não pense o contrário. Eu amo o Brasil. Amo nossa cultura, nosso jeito caloroso de ser, nossa música (que fique claro que estou dizendo MPB), nossa comida… Amo meus amigos e minha família. Eu estou morando no Canadá, porque eu e meu parceiro estamos em busca de novas experiencias, melhores oportunidades. E sim, eu acredito que faltam oportunidades no Brasil agora. Falta força de vontade, faltam boas intenções.

Quando digo “faltam boas intenções”, eu não estou generalizando. Acredito que existam pessoas com as melhores intenções do mundo no nosso Brasil. Mas com as piores também! Assim como em qualquer (ou quase qualquer) lugar do mundo.

Bem, o que eu vim dizer é o seguinte. Nossa cultura do “jeitinho” vem de berço. Nós somos os caras do jeitinho!!! E não é uma coisa necessariamente pra se ter vergonha! Claro que cada caso é um caso. E se o jeitinho for para tirar vantagem, então não deve ser visto como algo bom.

Por exemplo: O que você faz quando leva uma multa? Ou o que você fez quando não passou na auto-escola?

Não estou dizendo que para todos os casos nós teremos uma única resposta. Claro que tem aqueles que dão um jeitinho e aqueles que não. Assim como aqui no Canadá também (Embora nos quase tres anos que estou aqui, vi muito menos pessoas dando um jeitinho do que durante o mesmo periodo no Brasil). De novo: não podemos ser hipócritas. Nós conhecemos bem as respostas pras perguntas acima.

É uma cultura. O jeitinho é uma cultura.

Além do jeitinho, responda essa: você leva a bandeja de volta pro lixo no shopping? Ou você acha que não precisa porque tem gente que faz isso?

Você agradece o motorista do ônibus quando você chega ao seu destino? Ou pelo menos dá “bom dia” quando entra?

Pois é. São coisinhas simples… Mas acredite, fazem toda a diferença. É uma questão de educação. E eu acredito que: aos poucos, com mais informação o Brasil se adapta. Se adapta a ter mais educação, e se adapta a ser mais gentil. Lembra o que eu falei lá em cima? Eu adoro o calor dos brasileiros… Não seria tão simples poder usar o melhor do brasileiro, que é esse nosso calor, e essa vontade de ser feliz (e a propria felicidade) pra ser um pouquinho mais gratos por tudo o que temos?

Sim, gente… Eu sei! Corrupção! Como vamos ser gratos por tudo o que temos, se o que temos são só um bando de corruptos? – Bom, essa eu não vou nem responder. Porque se você está se fazendo essa pergunta, sinal de que não está entendendo o que eu disse até agora.

Então, gente, o negócio é que só porque o Mark é gringo, não muda o fato do que ele escreveu ser verdade. A gente melhora ouvindo o qué é ruim. É a unica maneira de evoluir. Seja lá de onde vem a crítica! É óbvio que a gente seleciona – algumas críticas não valem a pena. Mas se a gente não parar pra ouvir…. Como vamos saber o que está errado?

Entendo sim porque algumas pessoas ficaram chateadas com o público brasileiro compartilhando em massa a opinião de um estrangeiro…. E já falei, concordo parcialmente. Acho inevitável e triste, que os discursos dos estrangeiros sejam a maioria dos textos “compartilhados”. É como a música dos Titãs diz e como meu pai sempre me lembra: “um idiota em ingles, é bem melhor do que eu e vocês”.

E só pela última vez: não acho que tem que discriminar o estrangeiro que quer dar opinião também. Talvez se a gente parasse e se ouvisse mais, não precisaríamos ouvir de quem não “pertence a nossa terra”. Mas o fato de o Brasil ser um país tão miscigenado assim, só enfatiza a necessidade de não podermos ignorar opiniões. Seja lá de quem for – mesmo se for do “idiota em inglês”. E sim, deveriamos muito, MUITO mais nos importar com o que nós mesmos pensamos antes de tudo…

Nós somos um povo maravilhoso, podemos fazer melhor do que só nosso “jeitinho”.

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