Into a Minimalist Life

[Versão em Português logo abaixo]

We grow up and learn things as doing so… but not everything that we learn we take with us for life. This is going to be a very conflicting post for me, because at the same time that I do appreciate how I was educated and how I learned to collect things (among love, caring, patience, and the value of family), I also love what I am becoming today, and my simplified life. No, I don’t think I can call myself minimalist just yet.

I grew up in a collector’s home. My dad, a librarian and geek, who loves his books, CD’s, DVDs, stamples, and Star Wars Action figures, and my mom, delicate and business woman, who loves her miniature perfumes, shoes, and matchboxes. I grew up learning how to collect. And so I did it.

In Brazil, after I moved out of my parents, I lived on a two bedroom apartment, where I had my own action figures, movie posters, DVD’s, CD’s, postcards, and my famous beer bottle collection. Let’s not forget the million printed photos, files and more files from bands that I love with newspapers and magazines, and all kinds of souvenirs one could have. I only lived by myself and then with my husband for three years before coming to Canada – so this period of collecting this at my own place in Brazil lasted 3 years in total. It’s important to list a timeline here, but the collection of goods doesn’t necessarily take a lifetime to happen.

Then the time came, and I was moving to Canada. This would be the first time that I would get rid of many, many things. And I can’t quite remember how many boxes I donated, throw away, and got rid of. But still, my parents kept likely 30 large moving boxes at their home. For four years. Throughout the years, they would show me some stuff via skype and I would say “it’s okay to get rid of this”. Then it came to the beer bottle collection: maybe over 300 bottles? I donated them. Last year, after four and a half years, all the boxes disappeared. I ended up not keeping anything from the boxes after all.

Now in Canada, we got here (my husband and me) with four large suitcases. That’s all we had from the beginning. A few books on them, Alex’s desktop computer and all the rest, clothes. We moved into a one bedroom apartment, where we stayed for a year. What used to fit in the trunk (barely a trunk) of a sport Mercedes, after a year, would only fit on a trunk of a Van and the trunk of an SUV. We moved into a two-bedroom apartment.

Our life of collecting things continued in Canada – especially because things are cheaper in North America than in Brazil. We learned this way, and we love our things. So, why not? We started collecting beer bottles again, we got posters to put on the walls, action figures, more books, little décor items, kitchen stuff (like stuff) – basically everything that we felt we needed, everything that we could fit into the two bedroom apartment, and everything that we thought could bring us more happiness. And it did bring happiness, it fit into the apartment – and it was beautiful! Truly beautiful. So, we wanted more!

204931_1507735928937We decided to move again. To an apartment closer to town, closer to work… simplifying life, but not really. Because the apartment was still a two bedroom, but waaaaaaaay bigger. Like three times the size of the apartment we had in Brazil. And what do we do when we have a large space? We fill it out. From four large suitcases to a large truck and the trunk of 3 cars in three years. Oh man, we accumulated so much in three years.

I can’t say that the things we had did not make us happy, did not bring us good memories, or created good memories… They all did. A lot of the objects and little things we bought for our brand new two bedroom apartment came from good and happy moments. But none of these objects bring me the same joy as a walk in the park and watching my dog run, cancer free. IMG_2523Or to watch and admire nature beside the man I love. Or seeing my parents enjoying the city I am living in the same way or even more than I do. And these moments do not have an object to accompany them… They are just memories.

So we decided to simplify again. We saw that living closer to work and closer to town does not necessarily mean simplify. We downsized. Now we live in a bachelor suite. It’s like one-fourth of the size of our last apartment. Do you want to know how much we kept? For starters, we donated enough things (clothes, books, kitchen stuff, wall posters, all kinds of objects) to fill out a large bedroom two times. Okay, enough things to fill two large rooms. We have sold all our furniture, except our bed and our couch.

If we were to travel again, all our belongings would fit into 3 large suitcases – except the little pieces of furniture. But we have everything we need. I mean everything. In a space that is much, much smaller than what we ever had. And can I tell you how pleasing it was to get rid of the things I accumulated during these years in Canada? How good it made me feel to donate things we did not need anymore? How mind freeing it was to cut down our belongings?

From a full day cleaning the house before – we take less than two hours to do a really amazing job cleaning today. I still kept all the good things, though. All the memories stayed with me, and I didn’t need any object to remind me of them. I learned how to collect things, and life thought me that the collection of things was not in the objects, but in little things of our existence. I feel closer to myself living in a small space and less clutter – I feel closer to my husband because we do have to know how to share our space more than ever before. And I know I am closer to Bisnaga. I can honestly say that my life is simpler and I am happier.

À Caminho de uma Vida Minimalista

Nós crescemos e aprendemos coisas ao mesmo tempo… Mas nem tudo que aprendemos levamos para a vida toda. Esse vai ser um post bem difícil de escrever, já que ao mesmo tempo que eu dou valor à tudo que aprendi e como fui educada, e como eu aprendi a colecionar coisas (além de aprender sobre o amor, sobre carinho, paciência, e o valor da família), eu também amo o que estou me tornando hoje, na minha vida simples. Não, eu não acho que eu posso me chamar de minimalista ainda.

Eu cresci em uma casa de colecionadores. Meu pai, bibliotecário e nerd, que ama seus livros, CD’s, DVD’s, selos e bonequinhos dos Star Wars, e minha mãe, delicada e mulher de negócios, que ama seus perfumes em miniatura, sapatos e caixinhas de fósforos. Eu cresci aprendendo a colecionar. Então eu colecionei.

No Brasil, depois que saí da casa dos meus pais, morei em um apartamento de dois quartos, onde eu tinha meus próprios bonequinhos, pôsteres de filmes, DVD’s, CD’s, cartões postais e minha famosa coleção de garrafas de cerveja. Claro, não vamos esquecer dos milhões de fotos e arquivos de bandas que e amo, com recortes de jornal e revistas e todos os tipos de souvenir que uma pessoa pode ter. Eu morei sozinha e depois com meu marido por três anos antes de me mudar para o Canadá – então neste período de colecionar coisas no meu próprio apartamento levou apenas três anos no total. É importante listar uma linha do tempo aqui, já que uma coleção não necessariamente leva uma vida para se adquirir.

Então o tempo chegou, e eu estava me mudando para o Canadá. Essa seria a primeira vez que eu teria que me desfazer de muitas coisas. Eu não me recordo muito de quantas caixas eu doei, joguei fora ou me livrei. Mas ainda assim, sei que meus pais mantiveram mais de 30 caixas grandes de mudança em um quartinho no apartamento deles. Por quatro anos.  E ao longo dos anos, eles me mostravam objetos pelo skype e eu falava “tudo bem se livrar disso”. Então chegamos às garrafas de cerveja: talvez pouco mais que 300 garrafas? Eu doei todas elas. Ano passado, depois de quatro anos e meio morando fora do país, todas as caixas desapareceram. Eu acabei não ficando com nada das caixas no fim das contas.

Agora no Canadá, chegamos aqui com quatro malas grandes. Isso era tudo que a gente tinha no começo. Alguns livros, o computador do Alex e o restante, roupas. Nos mudamos para um apartamento de um quarto, onde ficamos por um ano. O que a gente conseguia fazer caber dentro de um porta-malas de uma Mercedes esporte, agora só cabia no porta-malas de uma van, mais o porta-malas de uma SUV. Nos mudamos para um apartamento de dois quartos.

Nossa vida de colecionador continuou no Canadá – especialmente porque as coisas são mais baratas na América do Norte em relação ao Brasil. Nós aprendemos a ser assim, a amar as coisas que temos. Então, porque não? Começamos a colecionar garrafas de cerveja de novo, compramos pôsteres para colocar nas paredes, bonequinhos de filmes, mais livros, items de decoração, coisas de cozinha (realmente, coisas) – basicamente tudo que achávamos que precisávamos, tudo que conseguíamos fazer caber em um apartamento de dois quartos, e tudo que pensamos que poderia nos trazer mais felicidade. E isso nos trouxe felicidade, cabia no apartamento- era lindo! Realmente lindo! Então a gente queria mais!

204931_1507735928937Decidimos nos mudar de novo. Para um apartamento mais perto da cidade, mais perto do trabalho… simplificando a vida, mas não realmente. Porque este apartamento ainda tinha dois quartos, mas era muuuuuito maior. Era tipo três vezes o tamanho do apartamento que tinhamos no Brazil. E o que a gente faz quando temos um espaço grande? A gente preenche. De quatro malas grandes para um grande caminhão e o porta-malas de três carros em três anos. Acumulamos tanto em três anos.

Eu não posso dizer que as coisas que tínhamos não nos traziam alegria, ou não nos trazia boas memórias, ou mesmo criavam boas memórias… Todos os objetos que tínhamos e tudo que compramos para nossa casinha nova veio de bons momentos. Mas nenhum desses objetos me traz a mesma alegria que um passeio no parque e assistir minha cachorrinha correr, livre do câncer. IMG_2523Ou de admirar a natureza ao lado do homem que eu amo. Ou mesmo de ver meus pais aproveitando a cidade onde moro, tanto quanto eu. Todos esses momentos não vem com um objeto para acompanhar… São apenas memórias.

Então nós decidimos simplificar de novo. Nós vimos que morar perto do centro e próximo do trabalho, não necessariamente significa simplificar. Agora nós moramos em um studio. É como um quarto do tamanho do nosso último apartamento. E você quer saber quanta coisa nós mantivemos? Pra começar, nós doamos o equivalente para encher um quarto grande duas vezes (roupas, livros, coisas de cozinha, pôsteres, todos os tipos de objetos). Okay, nós doamos coisas suficientes para encher duas salas grandes. Vendemos toda a nossa mobília, exceto nossa cama e nosso sofá.

Se fôssemos viajar de novo, tudo que temos caberia em três malas grandes – com exceção dessa mobília que temos. Mas temos tudo que precisamos. Eu digo tudo. Em um espaço como este, bem menor do que jamais tivemos antes. E eu posso dizer o qual gratificante qe é se livrar de coisas que acumulei durante esses anos no Canadá? O quão bem eu me sinto de poder doar as coisas que não precisamos mais? Quão libertador é se desfazer dos nossos bens?

De um dia inteiro limpando a casa – para menos de duas horas, para fazer um trabalho incrível de limpeza hoje. Eu ainda fiquei com todas as coisas boas. Todas as memórias ficaram comigo, e eu não precisei de nenhum objeto para me ajudar a lembrar das coisas. Eu aprendi a colecionar coisas e a vida de me ensinou que a coleção não está em objetos, mas nos pequenos momentos que são parte da nossa existência. Eu me sinto mais próxima de mim mesma vivendo em um lugar menor e com menos bugingangas – me sinto mais próxima do meu marido, porque temos que saber como dividir um espaço pequeno, como jamais vivemos antes. E eu sei que estou mais próxima da Bisnaguinha. Eu posso dizer honestamente que a minha vida é mais simples e eu sou mais feliz.

 

[English version on top]

 

Cover Photo by Austin Schmid on Unsplash
Advertisements

2 thoughts on “Into a Minimalist Life

  1. Que linda experiência! Eu estou lutando comigo mesma para viver assim. Só consegui esvaziar 4 gavetas no meu armário. Falta TOOOODO o resto da casa… rsrsrs

    Liked by 1 person

    1. Oi maluicmvila! Obrigada pelo carinho! Também não foi fácil pra que eu conseguisse diminuir o tamanho das minhas posses por aqui não… Mas temos que tentar olhar pelo lado do que eu “preciso” e do que eu “quero”. Essa coisa de valor sentimental também atrapalha, então ignore essas! 🙂

      Like

Leave a Reply to Mabel Marin Cancel reply

Please log in using one of these methods to post your comment:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s